No Topo da Nova Prateleira
Já existe um novo sub-gênero no cinema. Os filmes adaptados de histórias em quadrinho. Novidade não é, mas o número imenso de adaptações já pode garantir uma prateleira em qualquer locadora. E eis que veio o filme perfeito.
Cada gênero tem seu ápice em alguns filmes. No terror houve "O Exorcista", "A Profecia" e "O Bebê de Rosemary". Na Ficção podemos citar "2001" ou "Blade Runner", e agora, nos filmes de histórias em quadrinhos, surge "Homem-Aranha 2".
Já no primeiro filme, o diretor Sam Raimi mostrou que era capaz de colocar um moleque de roupa colante e colorida pulando de um lado para o outro sem parecer risível. Agora ele exponenciou as cenas de ação e trouxe uma aventura ainda mais incrível.
Com o melhor vilão do aracnídeo, o nerd Dr. Octopus, a continuação traz além da ação ininterrupta, uma profundidade emocional que é só arranhada no primeiro filme. O novo inimigo, aliás, é bonzinho. Nada daquela síndrome de Dick Vigaristas presente em outros filmes.
E falando em nerd, Peter Parker, o alter ego do herói, vivido por Tobey Maguire em uma atuação perfeita, mescla heroísmo iniciante e patetices de um desajeitado na medida certa.
Aos que torcem o nariz quanto à qualidade deste novo gênero, as atuações do núcleo principal da trama acaba sendo uma boa resposta.
Se ainda assim, ainda há quem critique e tenha uma visão preconceituosa, argumentos contrários não vão faltar.
Fora as atuações, pode se destacar as cenas de ação de tirar o fôlego, o humor que não faz o filme ser besta nem tão pouco sisudo, os efeitos especiais que dão vida ao herói, a direção de Sam Raimi e suas referências já habituais, e a história em si, uma das melhores já escritas para o sub-gênero.
Há quem acredite que este filme tomou o espírito do 11 de setembro, com um patriotismo e confiança no herói que salva a população. O primeiro filme já nasceu numa época de patriotismo extremo, e os comentários eram os mesmos. Acontece que o Aranha sempre vestiu a camisa da cidade de Nova York, porque agora ia ser diferente? Pode ver tranqüilo porque não é uma propaganda pró-Bush nem um filme do Michael Moore.
Nesta nova prateleira existem os filmes que se aproximam da perfeição na fusão das duas mídias (Hulk), os que misturam sem confundir (Tank Girl), os que fazem esquecer a origem no papel (Estrada da Perdição), os nostálgicos (Super-homem) e o com todas estas qualidades (Homem-Aranha 2). O filme pra se destacar nesta prateleira.